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Impacto da suplementação com MUB sob o pH e a produção de ácidos graxos de cadeia curta no rúmen de bovinos de corte consumindo forragem de baixa qualidade

- Experimento conduzido na Unidade Animal de Estudos Digestivos e Metabólicos do Departamento de Zootecnia da FCAV – UNESP, Campus Jaboticabal junto à doutoranda Rayanne Viana Costa e Prof.ª Dr.ª Jane Maria Bertocco Ezequiel.
Artigo publicado em forma de posteres no 2019 ASAS Annual Meeting - disponível no Journal of Animal Science.



O objetivo deste estudo foi avaliar o impacto da suplementação com MUB comparada à suplementação convencional para bovinos de corte ingerindo forragem de baixa qualidade sob o pH e a produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) no rúmen. Foram utilizados 6 novilhos canulados no rúmen com 350 kg de peso vivo (PV) médio da raça Nelore distribuídos em quadrado latino 3x3 duplo, com três períodos experimentais de 21 d cada (14 d para adaptação e 7 d para coletas) e três tratamentos que consistiram no fornecimento de feno de Brachiaria Brizantha de baixa qualidade (~4% PB; ~82% FDN) ad libtum como volumoso exclusivo, e a suplementação com: 1) sal mineral ureado aditivado (SMU; 46% PB), 2) proteinado 1,6 g / kg PV (PROT; 26% PB), e 3) bloco de melaço desidratado (MUB; 46% PB). A ingestão diária de suplemento foi de 0,04% PV para SMU, 0,05% PV para MUB e 0,16% PV para PROT. Os animais do tratamento MUB tiveram pH ruminal mais elevado e mais constante durante o dia, e maior proporção de propionato no rúmen, comparado aos demais tratamentos.


Tabela 1: Perfil de fermentação ruminal (pH e AGCC) de bovinos de corte alimentados com diferentes suplementos.
Tabela 1 Perfil de fermentacao


Figura 1: pH ruminal de bovinos de corte alimentados com diferentes suplementos, em função do tempo.


¹Sal mineral ureado, 2 Suplemento proteico energético, 3Bloco de melaço desidratado, MUB AGCC= ácido graxo de cadeia curta, Ac:Prop = relação acetato:propionato. EPM = erro padrão médio.
*Médias seguidas de mesma letra não diferem estatisticamente entre si, minúscula na linha, pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.


Figura 2: Proporção de propionato (%) em relação ao AGCC total no rúmen de bovinos de corte alimentados com diferentes suplementos.

CONCLUSÃO:

Nesse estudo, animais suplementados com MUB tiveram pH ruminal maior e mais constante durante todo o dia, além de melhor eficiência no metabolismo energético, comparado à suplementação com sal mineral ureado aditivado ou proteinado. Diferente da suplementação convencional ou dos blocos prensados, MUB é completamente sólido e seu modo de consumo por diversas vezes ao dia (gotejamento de nutrientes), e a maior sincronia dos açúcares do melaço com o N do suplemento e da forragem, podem explicar esses resultados. Portanto, MUB se mostrou uma alternativa eficiente para suplementação de bovinos de corte consumindo forragem de baixa qualidade, além de ser uma estratégia de suplementação que pode reduzir significativamente custo operacional e desperdício de suplemento.